The Revenant (2015)

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Leonardo DiCaprio in ‘The Revenant.’

 

ATENÇÃO: SPOILERS ADIANTE

The Revenant (O Regresso) ganhou um monte de Oscars, e merecidamente. É um espetáculo cinematográfico grandioso com elementos sólidos de qualquer épico: heroísmo, luta pela sobrevivência, reflexões sobre a vida, ação, etc. Mas sua estrutura narrativa é muito simples.

O filme foi baseado em parte num romance escrito por Michael Punke, que por sua vez se baseou numa história real. O roteiro foi escrito por Mark L Smith, em parceria com o diretor Alejandro G Iñarritu (que se tornou membro do primeiro time da indústria cinematográfica com Birdman).

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O roteiro pega o romance e injeta nele elementos que multiplicam sua dramaticidade. A história se passa em 1823, nas florestas da região noroeste dos Estados Unidos. O núcleo central é um grupo de caçadores de pele. Nele estão os três personagens principais: Glass (Leonardo DiCaprio), o guia do grupo. Hawk, seu filho. E Fitzgerald, um caçador traumatizado por um ataque de índios.

Logo no início, o conflito se estabelece: o grupo é atacado por índios. Fitzgerald sugere que Glass seja um traidor, já que se casou com uma índia (morta por franceses), e o filho dos dois é mestiço. Durante uma pausa no conflito com os índios, acontece a emblemática cena que serve como plot point (para o Ato 2): Glass é brutalmente atacado por uma ursa e fica entre a vida e a morte. Como se torna difícil para ele se deslocar, Fitzgerald e outro caçador são encarregados de cuidar dele e dar um enterro decente. Assim que o resto do grupo sai, Fitzgerald mata seu filho Hawk,  enterra Glass vivo e engana o outro colega para que sigam em frente deixando pai e filho para trás.

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O que temos em seguida é uma longa, dolorosa e improvável narrativa de vingança, onde Glass vai passar por terríveis sofrimentos se recusando a morrer. Paralelamente, e fragilmente ligado à trama principal, narra-se a busca de uma tribo de índios pela filha do chefe, raptada por caçadores franceses. O ato 2 acaba quando inacreditavelmente Glass – dado por todos como morto – consegue chegar à base do seu grupo e desmascara Fitzgerald, que foge. O terceiro ato mostra o duelo pessoal entre Glass e Fitzgerald.

Mas a impressão deixada pelo filme vai muito além dessa trama simples. O verdadeiro astro de The Revenant é a natureza selvagem e exuberante,  capturada em cenas naturais filmadas no Canadá, EUA e Argentina.

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Amada Imortal (1994)

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Gary Oldman como Ludwig Van Beethoven

Amada Imortal (“Immortal Beloved”) é um esforço do roteirista/diretor Bernard Rose para mostrar os anos finais de Beethoven através de um foco muito específico. Não é “a verdade” sobre a morte do compositor, mas uma versão poética, plausível e coerente mesmo que não seja real.

O filme começa com a morte do grande compositor, interpretado com paixão e preciosismo por Gary Oldman. Quando ele morre, seu secretário Anton Schindler descobre uma carta-testamento de Beethoven declarando que tudo o que ele tem deverá ser entregue à uma “amada imortal” sem nome.

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Valeria Golino como Giulietta Guicciardi

O roteiro segue a estrutura básica da “trama de enigma” (segundo o autor Ronald B. Tobias), e já foi comparado com Cidadão Kane. O secretário Schindler trabalha como um detetive, determinado a cumprir o último desejo de Beethoven. Através de uma série de depoimentos, vemos os anos finais do compositor sendo reconstituídos em todos os aspectos: amoroso, pessoal e artístico. Vemos como Beethoven, que já tinha um temperamento difícil (e o filme culpa seu pai por isso), enlouquece de vez quando no auge de sua criatividade fica completamente surdo. Essa tragédia é muito bem transposta para o roteiro, que observa como essa fase mais crítica gerou suas melhores obras.

O roteiro espertamente levanta uma série de enigmas durante sua narrativa. E quando ficamos sabendo quem é afinal sua “immortal beloved”, muito de sua insanidade passa a fazer sentido. E o espectador se sente compelido a assistir tudo de novo, pois a revelação do enigma modifica o ponto de vista que temos dos acontecimentos. (Assistido pelo Netflix).

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As 22 regras da Pixar para se contar uma história – Parte 2

 

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12. Dispense a primeira ideia que apareceu na sua cabeça. E a segunda, a terceira, a quarta, a quinta – tire a obviedade do caminho. Surpreenda-se.

13. Faça seus personagens terem opiniões. Personagens passíveis e maleáveis  são mais fáceis de serem escritos, mas representam um veneno para os espectadores.

14. Por que você deve escrever ESTA história? Qual a crença queimando dentro de você que a alimenta? Este é o coração da sua narrativa.

15. Se você fosse seu personagem numa determinada situação como você se sentiria? A honestidade trás credibilidade a situações impossíveis.

16. O que está em jogo? Dê uma razão para a audiência torcer pelo personagem. O que acontece se ele não for bem sucedido? Liste as possibilidades contra o personagem.

17. Nenhum trabalho é desperdiçado. Se não está funcionando, siga em frente – o trabalho feito voltará a ser útil mais adiante.

18. Você tem que se conhecer. É a diferença entre dar o melhor de si ou apenas ficar ansioso. A história tem a ver com testar posibilidades e não filtrar ideias.

19. Usar coincidências para colocar personagens em encrenca é muito bom. Usar coincidências para tirar seus personagens de encrencas é enganação.

20: Exercite: pegue os blocos narrativos de um filme que você não gosta. O que você faria para rearranjar esses blocos do seu jeito?

21. Você deve se identificar com a situação e os personagens que cria, não apenas escrever de um jeito “bacana”. O que faria você agir do jeito que eles agem?

22. Qual a essência da sua história? Qual a maneira mais econômica de contar essa história? Se você já tem essa resposta, pode construir mais possibilidades a partir dela.

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As 22 regras da Pixar para se contar uma história – Parte 1

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Todos sabem que a produtora Pixar levou a arte da animação a um novo patamar técnico. Podemos dividir a história da animação em antes depois da Pixar (como já foi antes e depois da Disney).

Mas além da perfeição técnica, a Pixar encara o roteiro como o principal patrimônio de cada uma de suas produções. Os roteiros são desenvolvidos por anos com o objetivo que cheguem perto da perfeição na técnica narrativa e na construção dos personagens.

Para que seus criadores foquem no aperfeiçoamento de cada roteiro, a Pixar criou 22 regras simples. (Na verdade, ideias soltas coletadas em reuniões de criação, coletadas por uma das artistas do estúdio). Aqui vão as primeiras dessas regras práticas (em tradução livre):

©Disney/Pixar.  All Rights Reserved.

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  1. Um personagem é mais admirado por tentar alguma coisa do que por ser bem sucedido.
  2. Tenha em mente que manter uma audiência interessada é mais importante do que se divertir como escritor. As duas coisas podem ser bem diferentes.
  3. Seguir um tema é importante, mas você não vai saber sobre o que é sua história até chegar ao fim dela. Agora reescreva.
  4. (Preencha os espaços em branco): “Era uma vez_________. Um dia __________. Por causa disso, ____________.Por causa disso,______________. Até que finalmente_________.”
  5. Simplifique. Mantenha o foco. Funda personagens. Evite os desvios. Você vai se sentir perdendo material valioso, mas está se libertando.
  6. No que seus personagens são bons e onde se sentem confortáveis? Jogue neles o elemento diametralmente oposto. Desafie seus personagens. Como eles lidam com isso?
  7. Decida seu final antes de acertar o meio da história. Sério. Finais são difíceis, mantenha seu foco lá na frente.
  8. Termine sua história mesmo que não esteja perfeita. Num mundo ideal você tem os dois. Melhore da próxima vez.
  9. Quando você não conseguir avançar, faça uma lista do que não deve acontecer em seguida. Muitas vezes o material que vai libertar você aparece dessa lista.
  10. Separe as histórias das quais você gosta. O que você gosta nelas é parte de você. Você deve reconhecer isso antes que possa usa-la.
  11. Colocar no papel/computador permite que você comece a melhorar o que fez. Se uma ideia perfeita fica na sua cabeça, você nunca vai dividi-la com ninguém.pixar-studios

Out of Africa (1985)

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Out of Africa (batizado no Brasil como “Entre Dois Amores” – um título equivocado) conta uma história factual de forma realista, dentro de um realismo possível para um grande espetáculo. Ela se baseia nas memórias da milionária dinamarquesa Karen Blixen, que em 1913 se casou com um barão (Bror Blixen) e foi para a a costa oriental da África tentar uma nova vida como fazendeira.

Karen (Meryl Streep) está no centro da narrativa. O filme antes de tudo trata das mudanças pelas quais ela passa durante um período de sua vida. Querendo a segurança de um casamento, Karen encontra, pelo contrário a incerteza e a necessidade de adaptação a uma vida completamente distante daquela que levava com a família na Dinamarca. É uma história de transformação pessoal dentro de uma situação histórica instável, com a presença colonial britânica se adaptando às populações africanas e vice-versa.

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O americano Kurt Luedtke ganhou o Oscar de melhor roteiro adaptado por seu trabalho em Out of Africa. Ele e o diretor Sidney Pollack optaram por uma narrativa convencional e linear, o que pode ser a melhor escolha quando se tem uma história sólida, um elenco de primeira e cenários perfeitos (70% das cenas foram registradas em locações africanas).

A história se divide convencionalmente em três partes claras. Na primeira, Karen abandona o conforto de sua vida aristocrática e vira fazendeira de café na região que se tornaria o Kenya, mais adiante. Ela não encontra em Bor Blixen (Klaus Maria Brandauer) a segurança que esperava de um casamento. O barão a explora financeiramente, some de casa por longos períodos e por causa da sua infidelidade acaba contaminando a esposa com sífilis. Mas o relacionamento entre os dois não é de conflito, e sim de decepção. Eles decidem se divorciar.

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A segunda parte narra seu caso com o caçador Denys Finch Hatton (Robert Redford), que substitui o barão na vida de Karen com romance e aventura. Mas sem casamento. Ela cobra um relacionamento mais comprometido, ele se nega. E neste segundo ato vemos que a maior transformação se dá não mais em Karen, mas em Denys, que no processo amadurece o suficiente para aceitar a possibilidade de morar com a amada de uma vez na fazenda. Uma dupla tragédia destrói esse plano. Mas a não ser numa breve (e brilhante) cena, os “dois amores” não entram em conflito e mantém uma atitude muito civilizada.

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O terceiro ato é dedicado ao que pode ser definido como o “terceiro amor”: a África em si. Karen precisa retornar à Dinamarca. É um processo de desligamento da terra, dos animais, dos nativos que trabalharam para ela e receberam educação e cuidados de saúde.  Out of Africa  é um espetáculo visual grandioso, fundado num roteiro sólido, inteligente e adulto. Está em cartaz no Netflix.

Journey to the Seventh Planet (1962)

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Existem filmes tão ruins, mas tão ruins que se firmam como uma atração. Um caso clássico é Plan 9 From Outer Space, dirigido por Ed Wood, considerado o pior cineasta da história. (Eu discordo). Journey to the Seventh Planet está no Netflix com o título em português “O Monstro do Planeta Perdido”. Foi produzido na Dinamarca e falado em inglês com alguns atores americanos (muito ruins) para o mercado internacional. O orçameno estimado do filme foi de 74.600 dólares.  As naves e planetas são feitos de espuma e borracha. As armas dos astronautas foram provavelmente compradas em alguma loja de brinquedos.

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O filme (de 1962) mostra o futuro onde todos vivem em paz sob o governo da ONU. A história se passa em 2001, quando a primeira nave é mandada para explorar o planeta Urano. Esse detalhe gera momentos muito engraçados. “Urano” em inglês é “Uranus”, que se pronuncia “your anus”. Cada menção ao planeta desperta risadas involuntárias, quando soam como “a temperatura em Urano está subindo” ou coisas parecidas.

A “nave” é um apanhado de torneiras, canos. aparelhos provavelmente comprados em alguma sucata. Os terríveis monstros são bonecos de borracha em miniatura. Mas o roteiro faz uma limonada de tão poucos limões. Como não há dinheiro para promover cenas de guerra no espaço, o vilão do filme é representado por um reflexo de luz que controla a mente dos astronautas. Esse vilão no final aparece representado por uma gelatina com um olho no meio. Ele faz os astronautas se apaixonarem por lindas mulheres imaginárias – um pretexto para colocar modelos dinamarquesas na história.

O músico Frank Zappa, que já havia homenageado os filmes baratos de ficção científica em “Cheepnis”, criou uma canção especial para Journey to the Seventh Planet:

Game of Thrones

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Game of Thrones já entrou para a lista dos maiores fenômenos da cultura pop de todos os tempos. Nunca uma série foi tão cara, tão complexa, tão rica e ao mesmo tempo tão popular quanto este grande sucesso da HBO.

Existem muitas razões para essa popularidade. Personagens bem construídos, cenários grandiosos, a mistura de gêneros diferentes convivendo dentro do mesmo universo, um elenco de sonhos, cenas inesquecíveis, etc.

Mas entre as razões para esse sucesso, não está o storytelling. O universo criado pelo escritor George R R Martin precisaria de muitos mais episódios por ano para explorar  toda a sua gigantesca trama de atos e relacionamentos. Mas a HBO (compreensivelmente, por causa do custo) só consegue produzir 10 episódios por ano.

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Na minha opinião, estes são alguns dos equívocos que acontecem com a narrativa de Game of Thrones:

  1. A história se abre demais provocando dispersão. Até os mais fanáticos reconhecem que se perdem de vez em quando em certos episódios.
  2. Essa dispersão faz com que os espectadores esqueçam a identidade de certos personagens que surgem do nada.
  3. Em praticamente todas as temporadas ocorreu o fenômeno de concentração da ação nos episódios iniciais e finais. Os capítulos 4 a 7 (aproximadamente) às vezes possuem pouca ação efetiva. Esse problema foi amenizado nesta sexta temporada.
  4. Ficção com zumbis tendem a se tornar redundantes. Perto da complexa rede de incríveis personagens de Game of Thrones, a luta contra os Night Walkers não deveria ser o fator central da série. Mas é.

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Os próprios criadores da série reconheceram que o episódio piloto foi um equívoco narrativo, que eles felizmente logo corrigiram. Todos os defeitos de Game of Thrones não diminuem nem um pouco o fato de ser uma série irresistível, esperada com ansiedade no mundo inteiro a cada domingo. É triste pensar que a série pode terminar definitivamente na 7a temporada, em 2017.

X-Men: Apocalypsis

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Não tinha como dar errado. Um filme com orçamento de centenas de milhões de dólares, excelente elenco e o mesmo diretor (Bryan Singer), que reinventou a saga dos mutantes X-Men para o cinema. X-Men: Apocalypsis (com roteiro de  Simon Kinberg) é, como não podia deixar de ser, um grande espetáculo, especialmente se assistido em IMAX 3-D.  Mas a sensação que fica depois de duas horas de som e fúria é de uma certa frustração.

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X-Men: Apocalypsis mostra que por melhores que sejam os efeitos especiais (e eles estão cada vez melhores!)  é a narrativa que começa a cansar. Porque conta a mesma história, sempre. Vilão ameaça 0 mundo – heróis se dividem e lutam entre si – heróis se unem – heróis derrotam o vilão.

Stan Lee, o principal criador desse universo de super-heróis Marvel é um gigante justamente porque soube se reinventar. Não é o que está acontecendo nessa nova onda de filmes. Não adianta colocar o caos na tela, super-heróis em fúria lidando com todas as armas nucleares sendo disparadas ao mesmo tempo. Já sabemos o que vai acontecer, como numa liturgia que começa a ficar cansativa.

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Nessa hora eu me lembro de uma história do Capitão America (escrita pelo mesmo Stan Lee) onde ele entra em crise, pega sua moto e sai sem destino querendo “se descobrir”. A liturgia repetitiva se quebrou. Como fã das produções Marvel, é o que espero para as próximas produções: uma surpresa.

Billy Wilder, o genio modesto

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Humphrey Bogart, Audrey Hepburn e William Holden em Sabrina (1954)

O polonês Billy Wilder (1906 – 2002) é um dos maiores diretores de cinema de todos os tempos. Ele dirigiu (e foi co-roteirista) de muitos filmes inesquecíveis: Se Meu Apartamento Falasse, O Pecado Mora ao Lado, Sabrina, Quanto Mais Quente Melhor, Farrapo Humano,  e muitos, muitos outros. Quando estava com 90 anos, Wilder deu uma longa entrevista ao também cineasta Cameron Crowe (de Jerry Maguire, Vanilla Sky e Quase Famosos). A entrevista virou um grande livro, Conversations With Wilder, hoje precioso por ter sido o último grande testemunho de Wilder sobre seus inesquecíveis filmes.

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Tony Curtis, Marilyn Monroe e Jack Lemmon em Quanto Mais Quente Melhor (1959)

Uma das melhores coisas desse livro é a desglamurização da atividade de cineasta. Wilder mostra como o cinema é uma arte meio fora de controle. Pequenos detalhes podem mudar uma ideia original: uma troca no elenco, um corte no orçamento, uma mudança de locação, a opção por uma frase no roteiro, etc. O conceito de um “cinema autoral” é artificial, que geralmente tenta ocultar a simples ruindade de um filme com pura arrogância. Billy Wilder tem como uma de suas melhores qualidades a modéstia. Sabe reconhecer quando errou.

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William Holden e Gloria Swanson em Crepúsculo dos Deuses (1950)

Apesar de sua excepcional capacidade de dirigir, Billy Wilder se considerava mais um roteirista do que um diretor. Ele sabia que na base de todos os clássicos do cinema existe uma história bem contada.

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Billy Wilder

The Boy Next Door

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Mesmo um filme ruim como O Garoto da Casa ao Lado pode ter lições a dar. Ruim? Não, muito ruim. Afinal, ele é apenas a adaptação de uma fórmula já testada, o filme Atração Fatal (1987). Para tentar alguma originalidade, os papéis são invertidos. No papel que foi de Michael Douglas (o homem que se arriscou numa aventura)  agora existe uma mulher, Jennifer Lopez. E no papel que foi de Glenn Close (a mulher que vive a aventura com Michael Douglas e se revela um monstro carente e psicopata) agora temos um homem, Ryan Guzman.

O que deu errado em The Boy Next Door? O roteiro de Barbara Curry. Ele é um equívoco do início ao fim. E a direção de Rob Cohen não ajuda a mascarar a absoluta falsidade das situações. Jeniffer Lopez, linda como sempre, produzida como se passasse a vida no salão de beleza, não consegue convencer como uma professora de literatura clássica. A partir daí, tudo vai ficando improvável até o limite do ridículo.

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O maior problema do roteiro é que todos os personagens são estúpidos. Fica difícil torcer por ele. Jeniffer está se separando do marido, que quer voltar com ela. Eles possuem um filho adolescente que quer a reunião. Surge um garotão bonito na casa vizinha. Num momento de fraqueza, a professora tem uma noite de sexo com ele. Depois se arrepende. Mas aí o garotão fica obcecado por ela.

A professora sabendo do perigo vai pedir ao aluno que pare com o assédio e resolve fazer isso numa noite em que o rapaz está solitário. O menino bate na cara da professora da escola, abusa da professora na cara do marido e do filho dela. Tenta matar os dois sabotando o carro em que viajam. Invade a conta de email da professora, tenta estupra-la no banheiro da escola. E nesse universo paralelo criado pela roteirista não existe polícia. Todos deixam que tudo aconteça como se fosse perfeitamente normal.